eu quero essa mulher
Tenho em minha mente a mulher ideal
Machismo, eu sei. Mas eu tenho
Dá vergonha de dizer, é incorreto pensar
Mas desenhada por minha desalmada alma,
eis a mulher perfeita, toda minha!
Aquela que eu queria inteira, todos os dias
Para ela eu cozinharia, daria banho
Faria mimos eternos, feita sob tão minha medida,
Ah, uma mulher como ela, que maravilha seria
Discretamente bela como a lua minguante
Sensual como as roliças rochas marinhas
Andarilha como os monges tibetanos
E tesuda feito a brisa matinal das montanhas invernais
Uau, que mulher! Me arrepia só de imaginá-la
com aquele cheiro de trigo e amora,
Encardidas sandálias de veludo acetinado
e desbotado vestido solto, simples, sempre engomado
Sua voz é o sombrio vento que percorre as savanas
tão opaco, profundo e silencioso. Que nunca vai embora!
Eu quero tanto essa mulher! Com suas formas sinceras,
Sua cor diabolicamente crepuscular, suas tetas serranas,
Cintura cigana, pernas silvestres, quero-a agora!
Sim, bom Deus meu, me dê essa mulher
Ainda que a retire das profundezas infernais
Traga-a pra mim, pois é tão sagrada e imaculada fêmea
Quero-a santa tanto e por eternos tempos que me perco sem ela
Ah, que sua presença seja olvidada por todos os mortais
Para que eu a devore em meus sonhos invisíveis de insone
Vejo-a nas festas fúnebres e nos tristes bacanais
Queria acha-la na rua, nos bares ou nos anúncios de jornais
Quero-a comigo desde que o sempre seja efêmero
E que o fugaz seja tão infinito quanto o derradeiro beijo.
Então vou amá-la para assim morrer feliz.
Escrito por Mauro Cassane às 16h03
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