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Uma lamentável gota de lágrima percorreu as lacunas de minha pele
Sei que te amo, meu amor
Sei que não consigo te olvidar,
Mas ainda me mantenho vivo sem ti...
Secaram minhas lágrimas
Busco seu gosto em outras bocas
E seu morno abraço em estranhos braços
Vivo porque alimento com insistente audácia
a esperança de um dia te conquistar
e assim voltamos a subir as montanhas
E como te quero, meu amor,
Um querer ignorante da distância
Como criança que sonha com um piquenique na lua
Me dizem que a vida é tão pequena
E que o melancólico tempo corre para a morte
Que tudo isso caberia num mísero poema
Mas te amo tanto, meu amor, que me sinto imortal
Insisto teimosamente em crer no impossível
Como te ver novamente flutuando na areia do mar
Porque amo o que não tenho
E sigo por caminhos que não me levam a lugar algum
Para te enxergar tão longe e sentir-te um pouco perto
Te amo, meu amor, com toda estúpida ternura de minha alma
Entorpecidamente encantado por esse insano amor eterno
E escravizado pelo vício por sua pele de pêssego...
Escrito por Mauro Cassane às 17h59
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Boas vindas aos forasteiros
A fumaça do baseado é algo sugestivo, flutua densa e esparrama todo aquele odor florestal por tudo quanto é lado, parece um reconfortante mergulho na relva úmida da mata atlântica. Não tenho dúvida que seja mesmo a melhor de todas as fumaças deste mundo. O charuto pode dar a sensação de poder, mas é esnobe demais e nem sempre cheira bem. A maconha, definitivamente, deixando de lado sua inclinação fora-da-lei, emite um cheiro muito mais amistoso. Eu e Vince estávamos parados no posto da BR 116 aguardando a retomada da viagem rumo ao Sul e fomos caminhar um pouco por onde os caminhoneiros descansam. Baforadas, conversa e o vento trazia o adocicado perfume das bananeiras da serra. Ali perto, mais para o leste, o Vale do Ribeira com seu grande rio barroso e silencioso ostentando suas lendas e por onde se banhou os valentes indígenas que jantavam os aventureiros portugueses e provavelmente utilizaram bananas cozidas nas águas do rio para dar gosto aos pratos. Conversávamos sobre isso quando os autos-falantes chamaram os passageiros com destino a Curitiba. Embarcamos. Vince carregava o litro de vinho sob seus longos braços e eu as nossas taças de plástico especialmente desenvolvidas para viagens. Depois de fumar, nada como deslizar pela estrada curtindo um bom vinho e comendo biscoitos de polvilho com sabor de cebola. Na paisagem milhares de bananeiras dançando como um bando de lunáticos num grande espetáculo à sombra das montanhas azuladas do Ribeira. O legendário capitão Lamarca fez boas andanças por lá e quando garoto eu era mesmo fã desse sujeito durão que peitou o governo militar. No fim morreu numa emboscada covarde, como sempre acontece com gente boa. Bem, foda-se. O vinho acabou já no crepúsculo horizontal alaranjado, no exato momento de um sono profundo. Tínhamos mais uma hora e pouco pra dormir. E assim foi feito. Despertamos com o gentil motorista nos chamando com leves toques em meus ombros. Pegamos nossas mochilas e descemos e praticamos o velho ritual de respirar fundo todas as primeiras essências da cidade. Curitiba cheira a jovens garotas ávidas por sexo. Tem um forte odor de cio que sopra em diversas direções e contamina seus visitantes com tudo isso. E as mulheres são incrivelmente lindas. Vince havia combinado de encontrar uma amiga ali mesmo na rodoviária e eu estava morrendo de fome e louco para devorar um bom bife com fritas e beber mais vinho. Uma tesuda morena magricela se aproximou, uma falsa magra, com um andar insinuante, cabelos ondulados, e um olhar lânguido, pensei até que fosse a tal amiga. Mas a diaba passou direto por nós e foi dar com outro sujeito que a esperava. Cara de sorte, pensei e fiquei imaginando o que fariam, pois a garota o abraçou e ele a ergueu no alto, e aquela cintura fina saltou ostensivamente para meus olhos exibindo uma bunda sutil mas bem formada, redonda e vibrante. Como sou um filho da puta de um indecente já imaginei o cara fodendo aquela magrela de quatro e dando uns bons tapas naquela bundinha macia. Mas por bem, imediatamente depois, preferi pensar que o cara fosse mesmo um cuzão que certamente não a faria gozar. Assim é melhor, a gente se sente bem ao imaginar que o namorado da mulher gostosa não a come legal como, obviamente, a gente foderia e as levaria ao céu do supremo gozo eterno. Giovanna chegou nesse ínterim com seu jipe reluzente, novinho em folha. Estacionou e correu sorridente e pulou nos braços de Vince. Que cena terna e doce, parecia mesmo um casal apaixonado se reencontrando. Mas eram apenas amigos.
Escrito por Mauro Cassane às 11h48
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continua...
É uma garota loira, com fartos peitos firmes, coxas grossas e uma pele espetacularmente sedosa e alva convivendo com seu momento de insanidade em que o ser humano abandona a infância e ingressa no limiar hipócrita da adultice. Não sei ao certo, nem perguntei, mas creio que ela tinha 21 anos. Solícita, expansiva e risonha, Giovanna nos deu carona até um bom hotel barato bem no velho centro da cidade, onde está o coração das urbis, sempre pulsante e vibrante. Descolamos um quarto amplo, com dois ambientes e quatro camas de solteiro. Um luxo. Ficamos felizes com o espaço, é bom dormir em lugares espaçosos. Giovanna foi para sua faculdade, mas combinou de retornar onze da noite para sairmos. A larica incontrolável só nos permitiu banho, jeans, camiseta, tênis e andança apressada para encontrar algo pra comer. Nos indicaram um lugar legal e sob medida para nossa necessidade imediata: rodízio de costela. Carne pra caralho e à vontade por nove reais a cabeça. Em menos de meia hora à mesa tive a sórdida impressão que tínhamos devorado um boi inteiro. Vince sugeriu não tomarmos cerveja, pra não encher muito, então resolvemos nos manter fiéis às generosas doses de cachaças baratas. Depois saímos para andar pelo centrão e descobrimos um lugar incrível com centenas de pessoas. Estava rolando um festival de teatro pela cidade e toda a corja de atores, diretores e o cacete se reuniam ali após as apresentações. Havia um palco e uma garota meio hippie cantava e um monte de jovens ficavam ali comportadamente sentados assistindo. Eu não entendia porra nenhuma do que ela dizia, na verdade os outros instrumentos abafavam sua voz. Mas todos aplaudiam calorosamente e com um puta ânimo como se estivessem diante de uma grande revelação da nova safra de intérpretes. Uma verdadeira porcaria, e os caras tocavam mal também. Acho que havia um acordo tácito entre aquela turma, pois todos viviam ou amavam palco, de se aplaudir sempre seja lá que merda vissem. Lá fora um negão baiano com seu louco cabelo estilo Bob Marley vendia seus artesanatos como é bem comum em qualquer encontro de garotada e, ao lado dele, outras garotas com seus rotos vestidos coloridos, imitando seus ancestrais hippies, também vendendo colares e badulaques feitos de grãos e o cacete. A maioria delas gordas e mal-tratadas, com seus peitos derrubados ainda na fresca idade dos vinte e poucos anos. Odeio mulher que esculhamba seu corpo só para exibir uma atitude de merda ou filosofia copiada e caduca. E para meu azar, enquanto eu negociava com o baiano um cachimbinho bom pra fumar um baseado, e também um naco de erva prensada, Vince encontrou uma antiga amiga de faculdade e a porra da garota fazia exatamente este estilo. Ele me apresentou mas antipatizei com ela logo de cara. Uma garota chata que não parava de falar de ecologia e povos indígenas. A maioria das pessoas não se contenta simplesmente em fazer algo de bom nesse mundo, precisa muito alardear tudo isso. Nos livramos dela em pouco tempo, fui meio indelicado, é verdade, mas resolveu.
Fumamos mais um pouco no quarto, e logo Giovanna foi anunciada pelo porteiro. Descemos, era quase meia noite, e lá estava ela com mais duas garotas morenas cantarolantes dentro de seu jipão moderno. Amigas de faculdade e, como manda a regra, escandalosamente ruidosas e festivas, mas extremamente gostosas e belas. Eu sinceramente preferia dormir, e não sei bem a razão que me levou a acompanhá-los visto que Vince tem também a mesma faixa etária das garotas e estariam todos muito bem ambientados. Eu me sentia o verdadeiro paria daquele universo de pessoas barulhentas e vistosas. Um chato velho acompanhando a juventude tresloucada. No carro, ouvindo uma música bate estaca infernal, Vince imediatamente se ambientou e não demorou para descobrir um litro de pinga barata enfiado sob o banco de Giovanna. Sorrindo, eloqüente e nitidamente senhor de seu mundo, sem muito esforço fez o litro girar e todos, exceto eu, beberam grandes goladas. Na verdade eu estava ali apenas como um espectro, ou um silencioso espectador. Chegamos a um bar com mais uma dezena de garotos gordos e garotas ainda mais gostosas. Porém eu estava realmente entediado e deslocado. Começaram uma desenfreada seção de orgia etílica e é muito curioso isso, mas gente muito jovem realmente exagera nas bebidas como uma necessidade gritante de se sentir inserido no mundo adulto. Sai à francesa, apenas dei um toque para Vince que iria cair fora de táxi. Cheguei no hotel me atirei na cama e dormi profundamente esquecendo até minha inseparável insônia. Vince chegou no alvorecer barulhento de Curitiba com carros e motos rosnando ferozmente do lado de fora. Ele se deitou e eu fui tomar café e sai para andar como mais gosto, como um solitário forasteiro munido com minha inseparável máquina fotográfica.
Nos encontramos no entardecer. Vince me contou sua aventura da noite anterior. Transou com Giovanna e sua linda amiga dentro do jipe. Com as duas. Os três no compartimento de trás que, com os bancos deitados, transforma o espaço numa imensa cama king size. “Fomos fumar um beck juntos e daí elas começaram a se pegar e eu entrei no meio e daí já estávamos todos pelados e só sei que transei com as duas”. Uau, até que às vezes vale mesmo à pena suportar ruídos e se inserir neles. Mais tarde Giovanna apareceu sozinha no hotel e nos levou para jantar na casa dela. Uma elegante residência de arquitetura alemã com um pé direito assombrosamente alto e vigas e escadas para todo lado. Os pais nos aguardavam com educados sorrisos de boas-vindas e enquanto bebíamos vinho em taças de cristal decoradas com rubis apareceu o noivo de Giovanna. Um rapaz fino, bem apessoado e, pela forma como trocou algumas palavras com o futuro sogro, oriundo de família ainda mais abastada e tradicional. Foi uma noite tranqüila, amena, cultural e um tanto quanto formal também. Giovanna parecia outra pessoa, com modos suaves e sempre conversando em baixo tom. No fim do jantar os noivos nos levaram para o hotel no carrão esportivo do rapaz que se exibia ao volante dirigindo em alta velocidade e não respeitando nenhum farol vermelho. No dia seguinte fui caminhar um pouco para deixar o quarto vago para meu amigo Vince. Giovanna prometera a ele aparecer às nove horas da manhã. E ele queria ficar no quarto com ela até meio dia. É que neste dia a família do gentil noivo nos ofereceria um almoço. Que bom, nessa viagem gastamos apenas 23 reais com comida na primeira noite no rodízio de costelas regado a cachaça. Depois, só champagne, vinho e caviar. Vince trepou os três dias e se despediu do noivo como velhos e bons amigos com um carinhoso e forte abraço. Eu notei nos olhos de Vince a sinceridade de tudo aquilo. Ele realmente ficou tocado e agradecido.
Escrito por Mauro Cassane às 11h47
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Te amo
Te enfio o ferro, guria, mato-te, para gozar...
Nessa fera besta minha ferrada, fodo-te
E te espero gritar, grunhir...”calma”...”calma”
Fodo-te, para te esquecer, fodo-te para te calar
Nesses anos que te morro, todos temos que chorar
Fodo-te, musa minha, até me foder
ou gozar derradeiras lágrimas
Para lembrar meus sonhos que preciso te esquecer
Fodo-te com sangue e alma, com suor e doçura
porque te quero assim tão minha, mas te perco para outrem
Fodo-te, feito fera angelical, para te massagear os ombros
e te esquentar nas manhãs invernais, te sangrar as veias
para te amar porque preciso te olvidar, fodo-te até gozar
por todos os anos não vividos, não consigo te esquecer
Fodo-te, musa minha, te quero todas as noites doentes
Sinto a febre devorar minha doçura, perco o brilho
Sou o mais opaco dos apagados, sem sua cintilante esmeralda
sem a fruta de seu rosto de pêssego. Puta minha, te perdi
para mim mesmo. Fodo-te porque te quero sempre,
com o desejo faminto de sua carne musculosa, de suas
covinhas imaculadas e de seu sorriso pueril.
Escrito por Mauro Cassane às 11h18
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