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No fim a gente sempre se fode
Passei um tempo muito grande sem transar. Assim, como se eu estivesse numa prisão. Talvez pior. Pois no xelindró os caras recebem visitas íntimas. Ou fodem com travecos ou veados. Não sei ao certo o que me impede de fazer sexo. E cada vez me importo menos com isso. O efeito colateral é um azedume insuportável. Foda-se. A grande tolice de minha vida foi amar. Por um grande tempo me senti imune a essa sentimento. Vivia bem, transava sempre e não tinha do que reclamar. Agora não. Vivo mal pra caralho. Viciei nesse negócio de transar por amor. Passei um tempo assim. Amando e transando. Porra, era bom demais. Acostumei mal. Agora fodeu. O tesão continua, mas o amor acabou. E o que é pior. Não foi o meu amor que acabou. Tenho que reconhecer meu ponto fraco. Sou um romântico retrógrado. Daqueles que associam melodias melosas com imagens da garota amada. Que compra flores, faz poemas e tem saudade e tudo mais. Gosta de dar presentes, sente falta e manda cartas. Puta que o pariu. Que lixo! Queria nunca mais amar na vida, mas sei que isso não acontecerá comigo. Bem, ao menos me serve para escrever. Ao menos isso.
O natal vai chegando mais uma vez nos trópicos. Quente, úmido e a mesma merda de sempre com cenas pitorescas de velhinhos vestidos de roupas vermelhas e blusas e tocas e até neve. E tudo aqui neste verão escabroso do Brasil. Que se dane. Há mais motivos para odiar do que para gostar do natal. De qualquer modo, vale as bebedeiras.
Um amigo de faculdade tá bem no exterior. Não por esforço próprio, e sim por seu pai que é gringo e meio rico. O cara tá na Inglaterra há quase vinte anos. Se formou e caiu fora pra Londres. A gente vivia juntos quando garotos. Fizemos muitas merdas e putarias. Bons tempos. Daí ele se mandou. E eu fiquei. Me escreveu há poucos. Depois ligou. Essas gente some e depois aparece e quer tirar duas décadas de ausência com uma porrada de conversas de uma vez. Já falei com ele uma dezena de vezes em apenas um mês. Ele casou com uma espanhola, teve uma filha e agora separou. Mora sozinho em Londres. Trabalha numa agência de publicidade. Deve ter um bom cargo pois o cara enviou fotos da casa. Uma bela residência em Londres. Me disse que é dele mesmo. Porra, só pode ganhar bem. No telefone, sondando o que eu estava fazendo, me convidou pra trabalhar lá com ele pra ajudá-lo em uns roteiros. Me explicou com calma o que se tratava e o que eu teria que fazer mas não prestei muita atenção. Fez mistério quanto ao salário que eu poderia ganhar, porém insinuou que eu não iria reclamar. Eu não perguntei nada. Apenas disse, na boa, que não tenho interesse. Primeiro porque me enchi o saco há tempos de ser empregado, depois que eu não tenho mesmo vontade de morar fora do Brasil. Sou provinciano. Gosto mesmo de São Paulo. Não teria saco pra morar em outra cidade. Adoro viajar, sair por aí, mas morar não. Me agrada saber que posso ver minha mãe a qualquer hora do dia ou da noite. Pode ser besteira isso, mas pra mim é muito bom. Ver meus amigos antigos. Porra, é bom. Me sinto mais humano. Vou sair pelo mundo por um tempo. Não sem destino, gosto de ter um caminho a seguir e um lugar a chegar além de um lugar para voltar. Mas nada de morar fora. Sou provinciano. E sinto saudade compulsivamente de pessoas e objetos. Acho legal aquela gente que dá um grande e sonoro foda-se a todos e vai morar fora e tudo bem. Faz novos amigos, novos amores e tudo mais. Não consigo ser assim. E logo mais é natal. Esse ano, pra mim, foi uma bosta em termos sentimentais. Foi o ano de terríveis e tristes sensações. Revelações desagradáveis. O coração foi torpedeado impiedosamente. Que besteira. Romântico sempre se fode. Então foda-se o natal também, e papai Noel e tudo mais. Essa é a época que as pessoas dizem feliz natal. Porra, meio babaquice isso não? Homem sem trepar fica azedo demais. Nem natal salva. Fui tomar uma cerveja no bar ontem. Estava lotado. Gente celebrando, confraternizando. Um saco. Os humanos festejam e matam, e odeiam sem razão aparente. De qualquer forma vou comer bacalhau e beber vinho na casa de minha mãe na ceia do dia 24 de dezembro. É provável que ganhe umas camisetas e meias e depois será também mais uma noite de solitária embriagues na cama. A tendência é sempre achar que o ano novo nos reserva coisas melhores. Pensei em sair com alguma mulher para me divertir. Mas estou bem cheio disso. Vou apostar que tudo pode melhorar em 2006. Me sentirei bem se não sentir mais qualquer saudade. Se não pensar em ninguém. Mas um novo amor seria o melhor remédio. Mesmo sabendo que a gente sempre se fode no final.
Escrito por Mauro Cassane às 15h18
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Das coisas inesquecíveis
Conheci Beth quando eu ainda era muito garoto. Não tenho bem certeza da idade que tinha. Mas girava em torno dos 16 ou 17. Acho que era isso. Ela era mais velha. Na época, tinha bem mais de 20. Estava quase para se formar. Fazia letras na USP. Não sei o que fazem ou aprendem nesse curso. Sempre tive curiosidade para saber. Dizem que estudam literatura, gramática e tudo mais da língua portuguesa. Deve ser interessante. Só não sei pra que porra pode servir. Se bem que, nas ciências humanas, tudo que a gente estuda não serve pra nada. Sempre se aplica o que não se aprende. Naquela época eu realmente não me importava com letras e sim com um grande dilema: precisava trepar. Hoje o dilema é o mesmo, com uma diferença idiota: gosto de sentir algo. Com 17 eu não queria sentir nada. Só prazer. Eu era bem mais esperto. Beth era uma garota aplicada. Tirava notas boas e gostava de dizer isso a toda hora. Ou mentia. Não sei. Vivia com livros, falava pra caralho de grandes autores que eu nunca nem tinha ouvido falar. A vi pela primeira vez num camping selvagem na praia, quando ainda se acampava deste jeito no litoral paulista. Lá pelos lados de Maresias. Hoje uma praia afrescalhada e cheia de burgueses ensebados e metidos. Loira, alta e com um corpo sensacional. Era um crepúsculo estranho naquele fevereiro louco com um laranja misturado com lilás no céu. A gente imitava em tudo os hippies da geração anterior. Ouvia as mesmas músicas, fazias as mesmas merdas e se vestia quase igual. Tocávamos Raúl, Janis e Hendrix. Era nosso hino sagrado. Ela estava preparando uma fogueira com dois amigos cabeludos e barbudos e mais uma amiga horrorosa, mas com um corpo passável. Empilhavam madeiras, e riam, bebiam vinho vagabundo de garrafão e andavam cambaleando. Eu só observava com o pé sendo tragado pela fina areia remexida pela água. De longe. Estava acampado com meia dúzia de amigos do bairro e fui designado para apanhar madeira. Achava isso uma tolice romântica, pois estávamos num puta verão. Mas a liturgia dos imitadores hippies ditava que, na noite, o legal era fazer fogueira. Tinha a ver com fogo, ar e o caralho. Bem, ao botar os olhos naquele loira saracutiando com um minúsculo biquíni que destacava sua redonda e deliciosa bunda, parei. Dei um foda-se à minha tarefa escrota. Estavam eles em quatro. Ou seja, dois casais. E um idiota distante, parado, de boca aberta, e cheio de tesão, ao longe, apenas observando. Não sei explicar o que deu em mim. Cheguei perto com uma conversa diplomática. Propus fazermos uma fogueira coletiva. O que seria bem mais legal e tudo mais, cantaríamos, beberíamos e fui criando outros argumentos furados, mas sempre buscando a harmonia da filosofia hippie. Os caras torceram o nariz com razão. Percebi na hora que eles ainda estavam tentando comer as duas. E que não tinham conseguido nada até aquele momento. E isso ficou mais evidente quando Beth rio e topou minha proposta sem ao menos esperar eu desfilar todos os meus argumentos. Isso deixou o sujeito que estava com ela puto da vida. Ele era grande e todo tatuado. Tinha uma cara assustadora e me olhava de forma ameaçadoramente fulminante. Ela notou a descortesia. E, típico de mulher, me amparou. “Olha, se eles não quiserem, nós vamos sim e é melhor fazermos essa fogueira lá no camping de vocês”. Depois de muito tempo percebi que ela fez isso pra deixar o cara mais puto ainda. A provocação foi mais longe. Chamou a feiosa, cujo nome realmente não importa e não lembro, e disse: “vamos, vamos catar lenha juntos”. Os dois ficaram ali, estáticos, acho que meio abobalhados pelo inusitado de ver um garoto como eu sair com duas gostosas, e nos observando entrar na mata para pegarmos gravetos e lenha. Elas foram espertas. Pegamos uma quantidade mais do que suficiente para mantermos uma fogueira acesa por horas.
Escrito por Mauro Cassane às 18h26
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continua...
Cheguei com as duas na barraca. Meus amigos não acreditaram. O mais novo e tolo chegando com duas mulheres. Tudo bem que uma era horrível, mas tinha um corpo bem formado e era melhor que nada. Fizemos a armação de gravetos e madeiras. A noite caiu jogando luzes brilhantes no horizonte. Meu amigo tocando Gita no violão desafinado com a feiosa sentada ao lado dele. Os outros saíram de caminhada para fumar um baseado. Beth me lança um olhar lindo e meigo e me convida para tomarmos banho no rio antes de acendermos o fogo. Topei imediatamente. Banho noturno de rio com uma loira gostosa em praia deserta. Caralho. Que mais pode pedir um punheteiro de 17 anos? A água estava gelada demais, meu saco quase sumiu. Mas ao ver os peitos daquela criatura iluminados pelo luar pensei em como a vida pode ser boa e perfeita. Banhos juntos. Beijos, chupadas e sexo com água corrente e fria. Entretanto, os corpos fervendo febrilmente. Um espetáculo. Tinha gente assistindo. Foda-se. Eles lá, se punhetando, e eu fodendo de verdade com uma beldade cinematográfica. De repente me lembrei do pobre coitado tatuado com cara de malvado que, decerto, a desejava muito e planejara uma viagem com ela, arrumara tudo, gastou grana comprando mantimentos e muita bebida, usou o carro dele, e podia ser um fodido da vida, mas investiu o que tinha para tentar transar com ela e a filha da puta vai e trepa com um babaca de um garotinho desconhecido logo na primeira noite. Porra, pensei nisso antes de gozar. Mas não afrouxei. Fui fundo. Ela delirou. Era delicioso olhar para a insana cara de prazer que ela fazia. Ela virara o olho, cravava as unhas em mim, a água deslizava pela cintura dela, os peitos vibravam brancos e iluminados. Que maravilha. Cheiro de maconha, água, relva e maresia. Eis o êxtase da filosofia hippie. Eu ali, com a melhor mulher do mundo para aquela noite. Depois brincamos um pouco mais na água. Nos lavamos de verdade e fomos para a margem. Quase nos aplaudiram. Que sensação agradável de poder. Os caras ali, distantes, nos observaram invejosamente. Eram cabeludos e barbudos também. Com certeza bem mais velhos que eu. Ela se embrulhou em minha toalha e apertou um pouco. Sua bunda ganhou destaque, e a cintura também. Os cabelos longos, dourados e cheios de cachos adornavam-na e, embrulhada na toalha, parecia mesmo uma sereia. Fui um cara de sorte naquela viagem. Transamos a noite sob o luar, perto da fogueira, depois que a turma se enfiou na barraca. O sujeito com cara de mal apareceu de madrugada. Estava bêbado. Quis tirar satisfação comigo. Estava com um facão na mão. Desses de cortar graveto. Enorme. Porra, bêbado, meio corno, e com facão na mão. Me deu um puta frio no estômago. Ele falava coisas incompreensíveis. Estava ligadão demais. Os olhos esbugalhados e vermelhos feito brasa. O outro amigo do lado. Quieto, com cara de furioso como que pedindo “mata logo esse babaca”. Mas era minha noite de sorte. Meus amigos eram os vagabundos da periferia. O que havia ficado com a feia, além de tocar mal violão, e só saber duas músicas do Raul, tinha uma função curiosa na nossa vila: cobrava os veados que não pagavam pela coca. O filho da puta só andava com o tresoitão na cinta. E se era uma coisa que ele fazia bem, e sem vacilar, era puxar o cão e tocar o dedo no gatilho. Ele estava no meio da foda com a feia. E o barulho do sujeito tatuado tirou sua concentração, o aborreceu de verdade, pois ele se lembrou que ela era mesmo estupidamente horrorosa. O pau amoleceu. Saiu puto da vida da barraca com aquele canhão na mão. Ao se deparar com o maluco empunhando um facão não pensou duas vezes. Levantou a arma e atirou. Não deve ter mirado direito, estava ainda meio zonzo. Ou fez só para assustar. Ele nunca me disse. O zunido passou velozmente e fumegante bem perto da minha orelha e mergulhou na areia ao meu lado de maneira surda e bruta. Aquilo sim foi assustador. Os dois cabeludos saíram correndo em disparada. Eu quase tomei um balaço no meio da testa. Beth soluçava e tremia e chorava baixinho. A feia saiu enrolada num manto esfarrapado que ele usava para acampar. Ele a abraçou com ternura e a conduziu para dentro da barraca. Beth assoa o nariz, soluça e me pede desculpas. Bem, foi minha noite de sorte. E a primeira transa de minha vida. Enfim havia conhecido o sexo e todos os seus misteriosos e perigosos encantos.
Escrito por Mauro Cassane às 18h25
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Aos trancos
Passei a noite com uma mulher maravilhosa que há tempos eu flertava, insistia, tentava. Morena, tesuda, gostosa. Juliana é aquele tipo de garota unânime. Todos a acham deliciosa. Por graça da natureza tem tudo no lugar certo, exceções feitas a alguns itens robustos, que a consagraram no passado, e que, agora, diante da impiedosa ação gravitacional, perderam um pouco de encanto. Bem, com 30 anos, sem qualquer manutenção, não se pode esperar muito de uma garota. Porém, não me desapontei. Estava diante de uma musa perfeita. Carinhosa, sensível, voz adocicada, e aquela suavidade selvagem da cor castanha de sua pele incrivelmente macia. É interessante a gente desejar uma mulher intensamente por anos até e depois trepar com ela. Na hora que acontece, parece que foi banal. Porra, é bom, a gente goza uma, duas e até três vezes. É como um esfomeado se lambuzando com um suculento prato de tenra comida. Depois vem aquela sensação de êxtase, aí a satisfação e gozo, daí a tranqüilidade e, por fim, o tédio. Eis a liturgia do tesão.
Nos encontramos para beber sem nenhuma outra intenção. Depois da segunda garrafa de vinho branco resolvemos ir beber outra em meu apartamento. Continuamos lá, matamos meu melhor vinho. Duas horas depois, suados, ela adormecida, eu estava já na estúpida fase do tédio. Puta que pariu. Queria simplesmente me sentir bem. Afinal transara com uma mulher e tanto. Era o que eu queria. Cantei-a por semanas. A desejava há mais de ano. E aconteceu. Naturalmente, rolou. Foi demais. A luz tênue e dançante da bituca de vela me apresenta aquele corpo ali, de bruços, placidamente nu e tão poeticamente lindo. Há pouco ela gemia e gritava e me unhava e mordia. Agora ali, em repouso, apenas suspirando com languidez, os lábios descolados e suculentos. E meu tédio profundo triturando minhas doces sensações, transformando tudo aquilo no mais fétido lixo. Procuro pegar no sono, sonhar um pouco, repousar, ao menos fechar os olhos para recordar mais uma vez aquelas duas horas tesudas com Juliana. Nada. Fantasmas caçoam de mim como moscas que rodopiam comida de bóia-fria.
Como saída, meio no desespero, resolvo tomar um bom banho. No chuveiro, entretanto, fico pensando em coisas passadas. Em vez de rememorar os prazerosos minutos recentes, sensações soterradas há mais de anos se debruçam sobre mim. A imagem que não queria, que sempre luto contra, chega arrasadora e violenta feito um maremoto. Lá está ela. Meu único e louco amor. A chuveirada quente me faz fechar os olhos. Então surge uma cachoeira lá adiante, através do vidro avistávamos essa imensa queda despencando lá do alto da montanha. Ela ali, deitada, na sauna, tão linda, suada, fresca, macia. Não enxergava suas imperfeições, apenas sabia de seus defeitos, mas ela era para mim, na harmonia visceral de suas formas, o símbolo máximo da perfeição. Sagrada criatura imaculada. Eis a ternura materializada em alguém. Tão minha, tão meu sublime e fanático amor. Que diferença profunda entre um amor e o tesão. Isso me vem em mente na hora mais imprópria. Relembrar um amor passado e, pior, que não mais existe, é o mesmo que comer a própria merda achando que desfrutará mais uma vez do prazer da ceia do dia anterior. Tento me desvencilhar disso, mas não tenho forças nem tampouco controle. Saio rapidamente do chuveiro. Tudo que é abrupto interrompe um sonho. Me comporto com solavancos ultimamente. Aos trancos. Para me bota alerta e acordado sempre. Se morrer, talvez seria bom chutarem meu caixão. Não posso ficar parado, nem sossegado nunca, pois isso me leva às nefastas recordações mais doces de minha vida. Ando pela sala. Bebo o que sobrou do vinho em minha taça. Na estante de madeira vejo o livro que conta uma história do Neruda com um carteiro. Maldito livro. Lá está ela de novo. Caminha suavemente, rebola com discrição mas de maneira macia, sem ser vulgar, porém incrivelmente sensual. É quase uma criança quando sorri exibindo seus pequenos dentes. Uma mulher e tanto quando sussurrava algo em meu ouvido e me mordiscava. Flutua delicadamente deixando suas flagrâncias em minha volta e me deixando libidinosamente arrepiado. A gente goza três vezes numa trepada de duas horas e depois disso, saciado, não consegue mais pensar na porra do sexo. Mas ao lembrar dessa diaba meu corpo inteiro rege como uma reação química explosiva. Poros ouriçados, peito em chamas e pau como uma tora em brasa. Que maldita puta ordinária. Idiotamente ainda amo essa criatura. Por alguns instantes, inebriado nessa viagem infernal, esqueço de Juliana. Volto ao quarto. Lá está ela. Dorme pesado. Esta descoberta e úmida de gozo e suor. Isso faz sua pele brilhar com a luz quase morta do que resta da vela. De bruços, exibindo aquela bunda grande e redonda, fica um tesão. A bunda empinada, vigorosa e suculenta. Me dá tesão novamente. Mas não é por ela. Não, não é. Aquele corpo vira apenas um palco, um cenário para ilustrar minhas fantasiosas recordações. Era para esquecer da outra. Não funciona. Lembro ainda mais. Começo a massageá-la com os olhos fechados, imaginando meu amor. Pressiono sua bunda com as mãos. Ela geme baixinho. Arqueia a cintura. Se oferece toda pra mim. Beijo suas costas. Transamos novamente, com mais intensidade porém, desta vez, com excesso de ternura e um amor descabido. Tomamos café juntos. Ela me disse que a última foi a melhor foda do ano. Que bom para meu ego. Retribui o elogio com a mesma falsidade. Estava muito longe dali. Ela me faz carinhos no rosto, me abraça, faz manha. O cheiro de café quente sempre me remete àquela suave flagrância cítrica dos banhos matinais nas frias manhãs das montanhas. Não posso ficar muito tempo parado. Preciso de solavancos pra continuar a viver normalmente. Se não soasse tão imbecil, eu pediria à Juliana para me dar um bom tapa na cara.
Escrito por Mauro Cassane às 13h12
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